domingo, 31 de março de 2013

Semear (ou a semiótica da cultura)



"É preciso fazer alguma coisa antes que alguma coisa se faça contra nós"
(António Sampaio da Nóvoa)

A cultura deve ser das poucas armas eficazes contra todas as opressões. E a maior das opressões é a ignorância e o obscurantismo, mas também o pseudo-conhecimento com que muitas vezes nos distraem e que por dever de carreira somos obrigados a deglutir, a ruminar e, eventualmente, a regurgitar para alimentar discípulos para assegurar que esta civilização se reproduz.
Estudar é preciso. Sim. Dentro e fora das escolas. Sobretudo fora e para além do ensino formal, no sentido de desenvolver um sentido crítico capaz de distinguir o saber que aliena daquele que liberta e constrói. Só os ingénuos, como diria Paulo Freire, podem esperar que os que dominam o sistema  desenvolvam uma educação que permita aos dominados entender de forma crítica a injustiça social.
É preciso fazer alguma coisa. Essa coisa pode ser uma semente ou uma pergunta simples (às vezes pouco educada) ou um desafio. Estou a pensar no que podem fazer os professores para inquietar intelectualmente os estudantes.
É preciso fazer alguma coisa. E essa coisa é que é linda!