sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Menos de um mês...

Passou menos de um mês neste retomar da prática docente interrompida há muito tempo. Tempo demais. Mas, como já tenho dito algumas vezes, há coisas que são como o andar de bicicleta... Assim, a pouco e pouco se vai construindo a relação a dois níveis, com os alunos e com os colegas.

DOS ALUNOS
A relação com os alunos volta a dar-me esse prazer e emoção que reconheço de antigamente, sobretudo nas interacções mais próximas e com pequenos grupos como são as discussões/orientções de trabalhos de grupo. É ali, frente a frente, debruçados sobre um problema - e os problemas nunca são simples, mesmo os simplesmente académicos - que nos surpreendemos, todos, com algo de descoberta no olhar que temos sobre determinada realidade. São esses momentos, acho que nos injectam qualquer coisa no corpo e na alma, seja lá isso o que for, que nos impele a procurar fazer sempre o melhor.
Neste contacto com os estudantes isto tem sido mais sentido com os do segundo ano, talvez por várias razões. Com estes tenho aulas dois dias seguidos na semana enquanto com os do primeiro ano esse contacto é de uma aula semanal. Por outro lado, com o segundo ano, lecciono uma unidade curricular que estrutural, sou titular e único docente ao contrário do que acontece com o primeiro ano em que me sinto um pouco perdido com alguns temas no meio de uma unidade curricular emque intervêm cinco ou sei docentes e da qual não consigo ter uma visão do todo. São dois desafios completamente diferentes. O primeiro ano está no início da sua socialização no quadro do ensino superior e da área da saúde e as primeiras experiências podem ser determinantes - lembro-me de um conjunto de histórias de Francesco Alberoni que se chama Primeiro amor, onde se descrevem e analisam várias primeiras experiências como portas, primeiras portas que se abrem para um determinado mundo - para a construção de um olhar sobre a vida, a saúde e a futura profissão. Os estudantes do segundo ano como já fizeram algumas aquisições, já me confrontam de outra maneira e serão, por isso, mais estimulantes intelectualmente.

DOS/AS COLEGAS
Em relação aos colegas sinto que do ponto de vista da relação social e, até, da amizade nalguns casos, tudo corre bem, mas muito limitado ao círculo que mais ou menos já conhecia. Parece que há pouco espaço, poucos momentos, de contacto com os colegas de outras áreas dos cursos da Escola. Mas, se o sinto assim em relação ao social, no que toca ao campo profissional, intelectual, académico, é praticamente nula a oportunidade de encontro, discussão, reflexão sobre as actividades da Escola, temas da actualidade relacionados com as áreas que trabalhamos. O que ainda vai existindo acaba por ser um pouco mais formal, do tipo conferência, palestra, seminário, que tendo o seu lugar e importância, não substitui outros tipos de reflexão e reflexão comum de carácter mais informal.
Às vezes apetece-me fazer propostas no sentido de criar esse espaço, mas ainda não encontrei a forma.

DA ESCOLA
O clima da Escola é insípido.
Num local onde é suposto fermentar conhecimento, parece que tudo se passa a frio. Deve corresponder, como metáfora, a qualquer avanço tecnológico que não domino - as reacções a frio - mas há qualquer coisa ausente no que esperava ser esta atmosfera.
Há dias, em conversa com uma colega, indaguei sobre o projecto da Escola, a sua visão... Tendo como resposta um grande abrir de olhos e um rasgado sorriso irónico, concluí: pois... a visão da Escola é para a Ria.
Mas não é para rir. Uma Escola que acolhe mais de duas centenas de estudantes e umas dezenas de profissionais; que pretende formar profissionais para uma área tão importante como a saúde; que tem inevitavelmente que se articular com inúmeras entidades da comunidade, tem que saber dizer-se. Tem que saber desenhar-se numa qualquer parede, ou projectar-se numa tela algures num futuro.