quinta-feira, 30 de junho de 2011

Aprendizagem criativa

“Preceitos e fórmulas, instrumentos mecânicos de uso ou, antes, do mau uso dos seus dons naturais são grilhões de uma menoridade perpétua”

(I. Kant)

Em muitas situações da vida prática tenho-me confrontado com fórmulas pré determinadas de proceder que vão, por exemplo, das conhecidas "minutas" de requerimento oficial (ainda a pedir deferimento) aos formulários e "grelhas" da mais diversa ordem. Nalguns casos cumpro, porque é sempre oneroso confrontar a burocracia, até porque ela se protege com bastantes elementos, se não punitivos, pelo menos, altamente dissuasores. Sempre que posso, cumpro é a minha natureza e introduzo uns grãos de subversão, muito pelo lado da ironia e do humor. Rir da burocracia é uma atitude revolucionária.

Reconheço que há vantagens na utilização de formas estilizadas de processar informação e que isso releva de um progresso intelectual e da tão nobre como complexa operação mental de classificação. Defendo uma aprendizagem baseada exactamente no desenvolvimento dessas capacidades de pensamento formal como condição para uma prática teoricamente sustentada. Encaro como missão do ensino superior (e por isso se chama assim) a promoção e o desenvolvimento das competências necessárias a essa apreensão da realidade, das capacidades de nela intervir e de transformar o mundo. E como se aprende tudo isso?

Muitas das questões que os alunos me colocam estão relacionadas com a obtenção de fórmulas, de mecanismos que mais ou menos os assegurem de que as suas respostas, produções académicas vão no sentido daquilo que o professor quer, que a universidade impõe.
Pelo caminho encontro instrumentos "facilitadores" sobre os quais tenho muitas dúvidas, porque são atalhos que se oferecem a quem ainda não trilhou caminhos e parece que dispensam quem está a aprender, para além dos prazeres da descoberta, do trabalho de construção dos seus próprios caminhos. Acredito que só por aí se promove o desenvolvimento de cidadãos livres e criativos, capazes de equacionar e procurar soluções, negociar estratégias participadas, para resolver problemas.

No essencial, e seguindo uma linha talvez piagetiana, o que está sempre em causa na aprendizagem é a capacidade de construir relações, por parte do sujeito aprendente (todos nós), do sujeito-epistémico que constrói conhecimento que pode ir das aprendizagens mais elementares ao mais complexo desenvolvimento teórico.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Metaparadigma

Jacqueline Fawcett (*) cita a seguinte afirmação de Donaldson & Crowley como sendo a proposição major do metaparadigma da enfermagem:

"A enfermagem estuda a totalidade ou a saúde do Homem, reconhecendo que o Homem está em contínua interacção com os seus ambientes"

Uma disciplina (científica ou não) define-se por se constituir como um corpo de conhecimentos, por fornecer um conjunto de instrumentos conceptuais e operacionais que permitam uma abordagem específica de determinados fenómenos.

Por aqui andava em 1995. Agora tento perceber as voltas que deu este universo na minha ausência.


(*) Fawcett, J. (1989). Analysis and evaluation of conceptual models of nursing. 2nd. ed. Philadelphia: F.A. Davis Co.