A enfermagem afirmar-se-á e construirá o seu futuro (quiçá, a sua sobrevivência) se conseguir produzir um conteúdo próprio e uma intervenção reconhecida e reconhecível. Não é preciso inventar nada (e nem sequer as mais recentes profissões que surgiram na área da saúde o tiveram que fazer); a enfermagem tem uma matriz que resiste à idade e lhe permite incorporar novos saberes, novas técnicas e sobretudo novos paradigmas sem se descaracterizar. Em contrapartida, sofre de uma dificuldade crónica de se comunicar, de se dizer nas práticas e, mesmo no plano da retórica que constrói para si mesmo, o discurso raramente passa para o espaço público.
Há muito que penso que a base mais segura da enfermagem consiste naquilo que alguns chamam o "cuidado relacional" e isso permitiria lançar mão a todas as formas de intervenção e integrá-las na lógica dos cuidados de enfermagem que pode ser traduzida mais ou menos como a ajuda às pessoas e grupos sociais a serem mais autónomos na prevenção e resolução dos seus problemas de saúde. Assim, os enfermeiros não precisam ser psicoterapeutas, fisioterapeutas, massagistas, musicoterapeutas, dramaterapeutas, guias turísticos, peritos em gestão doméstica, nutricionistas, etc. para utilizar os saberes e as técnicas desenvolvidos pelos especialistas nessas áreas e incorporá-los nas suas actividades de cuidados.
Um estudo recente que acabei de ler, parece-me estar bastante nesta linha e oferece um magnífico campo de reflexão para os enfermeiros, numa área particular, mas com uma preponderância crescente no campo dos cuidados de saúde.
Alguns exemplos de interveções usadas:
- skills training and education for caregivers;
- activity planning and modifying the patient's environment;
- enhancing caregiver support through Web sites, telephone calls, and family counseling;
- self-care techniques for caregivers, including stress management and music therapy;
- collaborative care with a healthcare professional; and/or
- exercise programs for the patient.
Nas conclusões do estudo pode ler-se:
Nonpharmacological interventions delivered by family caregivers have the potential to reduce the frequency and severity of behavioral and psychological symptoms of dementia, with effect sizes at least equaling those of pharmacotherapy, as well as to reduce caregivers’ adverse reactions. The successful interventions identified included approximately nine to 12 sessions tailored to the needs of the person with dementia and the caregiver and were delivered individually in the home using multiple components over 3–6 months with periodic follow-up.
Ler também:
Meta-Analysis of Nonpharmacological Interventions for Neuropsychiatric Symptoms of Dementia
Good News for Dementia Care: Caregiver Interventions Reduce Behavioral Symptoms in People With Dementia and Family Distress